A promoção de campanhas para conscientizar sobre os riscos do uso do cerol ou linha chilena em pipas foi uma das discussões na reunião mensal do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança de Lins), nesta terça-feira, 16. Para o presidente do órgão, José Roberto Cavalcante Andrade, a prática, vista por muitas crianças e adolescentes como divertimento, muitas vezes tem o consentimento dos pais.
O assunto ganhou força no encontro devido a uma ocorrência envolvendo um menino de 7 anos, na última segunda-feira, em Bauru. Ele ficou gravemente ferido após ter sido atingido por um cabo de energia, possivelmente cortado por uma linha chilena. Também foi citada a morte de uma jovem, de 20 anos, que teve o pescoço cortado pela linha com cerol enquanto andava de moto em Goiânia.
O presidente do Conseg afirmou que o uso do cerol entre as crianças pode ser constatado em visitas a diferentes bairros da cidade. Uma ação educativa desenvolvida pelo conselho em escolas municipais e estaduais, em abril deste ano, perguntou nas salas de aula quantos alunos já haviam utilizado o cortante ao empinar pipa. Mais de 90% dos estudantes disseram que sim.
O cerol é uma mistura de cola com cacos de vidro que é colocada na linha para derrubar outra pipa. A linha chilena é uma mistura de pó de óxido de alumínio e silício (elemento químico). O uso desses materiais é proibido, no entanto, os riscos são ignorados pelas pessoas. No mesmo trabalho nas escolas, o Conseg apurou que as crianças e seus responsáveis consideram a aplicação das misturas como parte das brincadeiras.
Está em tramitação na Câmara de Lins um projeto que determina a realização de uma semana municipal voltada a essa conscientização. A proposta, de autoria do presidente da Casa, Marino Bovolenta Junior (PV), prevê a realização de palestras, debates e a entrega de folhetos explicativos sempre na primeira semana do mês de maio, além da afixação de cartazes em órgãos públicos.
O projeto foi destacado pelos conselheiros como um passo importante para garantir a realização de campanhas efetivas. Presente na reunião, Marino ressaltou que a linha com cerol ou linha chilena pode afetar não apenas motocicletas ou bicicletas, mas, também, os pedestres. “As linhas cortantes podem deixar sequelas irreversíveis ou até mesmo causar a morte de uma pessoa”, afirma. A medida já recebeu parecer favorável de comissões permanentes e está previsto para ser analisado pelos vereadores na primeira sessão ordinária, no dia 5 de agosto.
Os pais de adolescentes flagrados com os materiais cortantes podem responder ato infracional, conforme o Código Penal e o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). A penalidade pode ser o pagamento de três a vinte salários mínimos. E os menores também podem ter de cumprir medidas socioeducativas, caso haja crimes de lesão corporal ou homicídio.
O encontro teve a presença de 22 pessoas, entre representantes das polícias Civil, Militar e Ambiental, da subseção da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), da Defesa Civil, associações de bairros, do CREAS (Centro de Referência de Assistência Social), Gerência de Fiscalização de Posturas e Sincomério.
O alerta sobre a iluminação mais eficiente na proximidade de pontos estratégicos da cidade para evitar roubos também integrou a pauta. Outro assunto levantado foi o excesso de velocidade de ônibus do transporte coletivo, denunciado por uma moradora. A próxima reunião do conselho será no dia 20 de agosto, às 20h, na Casa dos Conselhos.









