A preferência da administração municipal em locar máquinas em vez de aquisições gerou fortes críticas dos vereadores, na sessão ordinária de segunda-feira, 28. Os comentários tiveram início na votação de um projeto, enviado pela Prefeitura, para a liberação de R$ 474 mil visando a compra de equipamentos, máquinas e veículos.
Foi retirada a urgência simples da proposta, que segue em tramitação normal. Segundo os vereadores, o projeto não especifica quais equipamentos serão comprados, o motivo de maior controvérsia.
O problema denunciado é o recente leilão de máquinas a preços apontados como baixos, e a decisão, agora, de novas aquisições. “Temos que apurar a venda de equipamentos em bom estado de conservação. Essas máquinas poderiam ser recuperadas com um pequeno investimento”, afirmou o vereador Edgar de Souza (PSB).
A declaração ocorreu no momento em que o vereador Roy Nélson (PR) utilizava a Tribuna Livre. Ele pediu uma análise mais crítica dos demais vereadores ao projeto. “O que me deixa preocupado é que a Prefeitura comprou, há algum tempo, várias máquinas e mais recentemente houve um leilão”, disse.
Roy citou alguns dos preços pagos pelas máquinas. Uma motoniveladora, por exemplo, foi adquirida por R$ 82 mil e um trator por R$ 39 mil. No total, o leilão rendeu R$ 453 mil aos cofres públicos. No entanto, o vereador apontou algumas coincidências. Um dos compradores era de Pederneiras, cidade onde fica a fábrica da Clark. “Pra mim, acho que foi pra lá, reforma, e compra outra vez”, afirmou.
“Acho que tem que se preocupar muito com isso, afinal é dinheiro do munícipe”, ressalta Roy. Ele também acredita que os R$ 474 mil não são suficientes para a aquisição de novas máquinas, criticando, também, a falta de detalhamento no projeto.
A prática de buscar, prioritariamente, locações foi outra questão tratada. “Quando o prefeito (Waldemar Sândoli Casadei) sair, não teremos máquina pra fazer nada, porque só aluga, é tudo terceirizado”, argumentou.
Essa situação, para o vereador Durval Marçola (PTB), vai caracterizar a prefeitura como “desestruturada”. “A Secretaria de Obras não existe mais, pode ter secretário por lá, porque, hoje, não tem funcionários, são terceirizados, as máquinas foram todas leiloadas, e agora querem comprar máquinas, mas quais são?”, questionou.
“O próximo prefeito vai pegar uma Prefeitura completamente quebrada”, acredita. Ao se referir a locação de dois caminhões caçamba basculante, utilizado para carregar terra, Marçola fez severas críticas: “Olha o ponto que nós chegamos. A nossa Prefeitura não tem dois caminhões como esse, tem que locar”.
O vereador Dr. Marino Bovolenta Jr (PV) informou que acompanhou os valores arrecadados com o leilão, juntamente com Roy Nélson, e ficou bastante surpreendido. Também recordou de verba aprovada pela Câmara, no ano passado, para a aquisição de maquinário. “A cidade está em estado de calamidade, podemos emprestar o maquinário de Guaiçara para trazer para cá, porque lá tem tudo”, ironizou.
De acordo com o vereador Damião Franco de Souza (PSDB), já foram vendidos 14 caminhões e sete máquinas. “Uma máquina Patrol que vale R$ 700 mil, foi vendida por R$ 70 mil, sendo que o conserta ficava em torno de R$ 30 mil”, cita.
Damião também fez comparações ao município de Guaiçara. Disse que o prefeito Osvaldo Afonso Costa sempre está em São Paulo, e visita o gabinete do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que tem ajudado a cidade com várias verbas. No caso de Casadei, afirma que o prefeito, em seis anos, só fez isso duas vezes.
“Se continuar dessa foram, acho que a população linense tem que tomar outro caminho, porque dessa maneira não dá, até fazer uma ação popular, se for preciso, e pedir a cassação do prefeito”, sugere Damião.









