Os comentários feitos pela vereadora Guadalupe Boa Sorte (PSDB), durante sessão ordinária da Câmara Municipal de Lins, duas semanas atrás, acerca de avaliação federal à saúde de Lins, foram contestados pela diretora do atendimento de saúde bucal, Renata Ariana Furquim Barnabé.
Ela se inscreveu para utilizar a tribuna, no início da sessão, para rebater a afirmação da vereadora de que “ficamos atrás” nessa área da saúde. Guadalupe chegou a essa conclusão enquanto comentava a nota de 4,53, numa escala de 0 a 10, obtida no Índice de Desenvolvimento do SUS (IDSUS), realizado pelo Ministério da Saúde a cada três anos.
Na ocasião, a vereadora citava entrevista concedida pela secretária municipal de Saúde, Cláudia Nunes, justificando a nota registrada pelo município. Cláudia havia afirmado que os problemas enfrentados pela Santa Casa prejudicaram a avaliação da saúde. O argumento foi contrariado pela vereadora, que citou que um dos pontos avaliados pelo ministério, a saúde básica, não tem a nota interferida pelo desempenho do hospital.
A atenção básica, que inclui os serviços prestados em unidades básicas de saúde, fez parte do primeiro diagnóstico, o da saúde primária. Também foram avaliadas a saúde secundária (atendimento em hospitais) e terciária (exames de alta complexidade).
Durante esses comentários, a vereadora citou números de exames de mamografia e de papanicolau, considerados por ela “baixos”, e fez uma pequena crítica à saúde bucal. “Temos uma equipe fantástica, eu sei o esforça da doutora Renata para estar cobrindo, ela corre atrás, mas ainda ficamos atrás”, disse, naquele dia.
Renata não concordou com o posicionamento da vereadora e, por isso, decidiu utilizar o espaço no plenário da Câmara na sessão ordinária desta segunda-feira, 2. Ela explicou que, na saúde bucal, a avaliação foi realizada por três indicadores. Dois deles que se referem à qualidade dos serviços deram nota 10 a cidade.
No terceiro indicador, que avalia o acesso ao atendimento pela população, e que exige a meta de atender pelo menos 46% dos moradores, a nota do ministério foi 5,61. O ministério mede o acesso pelo número de dentistas disponibilizados em unidades básicas de saúde e em unidades do Programa Saúde da Família.
Para realizar o atendimento exigido pelo índice, seriam necessários profissionais com jornada semanal de 40 horas. No entanto, segundo Renata, a secretaria conta com uma equipe de dentistas que trabalham 20 horas semanais, o que “derrubou pela metade o cálculo das horas oferecidas, mesmo assim, conseguimos cobrir um pouco além da metade da cobertura desejada pelo ministério”, ela afirmou. “Fomos muito bem diante da estrutura que temos pra fazer a estrutura desejada”, disse aos vereadores.
“Tenho que contestar as palavras da nobre vereadora de que o fizemos não foi suficiente”, afirmou.
Guadalupe, por sua vez, disse estar “indignada” com os esclarecimentos dados por Renata na tribuna. “Não critiquei o seu trabalho, não critiquei o trabalho de sua equipe, em nenhum momento”, afirmou. “Eu sou presidente da comissão de saúde, (isso) foi pra dizer que Lins se encontra com dificuldades assim como vários municípios do país”, acrescentou. “Eu simplesmente citei um dado”.









