O vereador Roy Nélson (PR) protocolou, na Câmara, projeto que visa à extinção dos quatro cargos de agentes de trânsito, em razão de os profissionais, segundo ele, estarem favorecendo a criação de “uma indústria de multa na cidade”, em vez de priorizarem orientações aos motoristas. De acordo com o vereador, essa era a ideia prevista pela prefeitura no projeto enviado ao Legislativo e aprovado em maio de 2011.
Na sessão ordinária de segunda-feira, 6, Roy mostrou um relatório da Diretoria Municipal de Trânsito com 114 páginas e, em cada uma delas, 60 multas. Ele também mostrou um folheto, distribuído pelas ruas da cidade, com a frase: “mais uma indústria se instala em Lins, visite Lins e seja multado”. Para ele, o material revela a indignação da cidade com a atuação dos agentes.
Os funcionários do GAT (Grupo de Apoio ao Trânsito) começaram a trabalhar no início de julho. Roy defende que, no primeiro mês, esses servidores deveriam atuar apenas em ações de orientação. “Nós votamos, porque foi explicado que eles iriam melhorar o fluxo de veículos da cidade, dar mais educação, conversar, orientar”, afirmou.
Ele observa, no entanto, que não tem sido esse o objetivo principal dos agentes. “Eles andam munidos com dois talões de multa, um de cada lado, e saem multando todo mundo”, denuncia. O vereador ainda recordou o caso de um mototaxista ter sido multado, fora de seu horário de expediente. Roy ressaltou que sua intenção, ao criticar os agentes, não é proteger os maus motoristas, mas exigir que eles ajam com respeito aos cidadãos.
Para o vereador Aparecido Correia da Silva (PMDB), os agentes foram treinados com profissionais do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) e, por isso, “podem exercer com tranquilidade a profissão”. Ele, inclusive, lembrou que “quem desobedece à lei, sabe que está desrespeitando” pelo fato de ter passado por aulas em autoescolas. Ao discordar da apresentação do projeto para extinção dos cargos, considerou que trata-se de um ato de “sensacionalismo”.
Também disse que, antes de uma decisão como essa, poderia discutir o assunto com o diretor de Trânsito, Celso Violato. Roy Nélson rebateu as declarações de Correia e reafirmou que os agentes precisam conversar com as pessoas. Um requerimento será enviado a Violato para que dê esclarecimentos aos vereadores.









