Telas com pinturas realizadas por pacientes do Centro de Atenção Integral à Saúde (Cais) “Clemente Ferreira” foram expostas em uma vernissage, na noite de quarta-feira, 12, no salão de eventos da Câmara Municipal de Lins. Pelo sétimo ano consecutivo, o hospital psiquiátrico organiza o projeto “Aquarela”, cujo objetivo é desenvolver habilidades cognitivas.
Em 2005, quando teve início esse trabalho, o primeiro passo para que os pacientes pudessem produzir os quadros foi exercitar a coordenação motora, segundo explica Genicley Márcia Costa de Almeida, terapeuta ocupacional e responsável pelo projeto. Atividades que trabalharam movimentos e equilíbrio também foram fundamentais.
Depois, foi a vez de apresentar os diversos tipos de pintura. Nessa etapa, os ensinamentos puderam ser aplicados em materiais diversos, como papel e tecido. “Quando eles começaram a ficar com os movimentos mais finos, mais leves, iniciamos o trabalho de pintura”, conta Genicley.
Até então, nenhum trabalho com essas características era desenvolvido no hospital. Um morador que apenas ficava deitado e fumava com frequência causava preocupação dentro da unidade. Para motivá-lo, a pintura foi uma das soluções, algo que chamou a atenção de outros pacientes.
O Núcleo de Reabilitação Psiquiátrica, a frente do projeto “Aquarela”, iniciou o trabalho com 26 pessoas. No decorrer dos anos, porém, algumas delas puderam ser transferidas para residências terapêuticas e outras morreram em decorrência de complicações. As obras expostas este ano são fruto de 16 autores.
Segundo a terapeuta ocupacional, a pintura revela-se em uma importante ajuda no tratamento. “Houve muita melhora, porque a maioria dos pacientes sentia-se desmotivada para tudo, eles só se interessavam por cigarro. A partir do momento que eles foram mexendo com a pintura, vendo o resultado, e participando das exposições, eles se sentem mais valorizados”, afirma.
Para a diretora do hospital, Sílvia Helena Tejo Marcolino, a pintura das telas mostra aos pacientes o quanto eles são capazes. Segundo ela, outro ponto importante desse projeto é o resgate de lembranças que podem ser colocadas nos quadros. “Na medida em que você produz uma tela, você expressa todos os seus sentimentos, e, como ser humano, temos emoções”, explica.
“As pessoas que ficam um longo tempo internada dentro de um hospital psiquiátrico, acabam que perdendo isso, e o projeto tentar resgatar essas habilidades perdidas, e fazer que o pintor traga a tona a sua infância, que ficou perdida, ao longo dos anos”, acrescenta. Os quadros foram vendidos a R$ 100 na vernissage. Os recursos são revertidos na manutenção do projeto.
O objetivo do evento também foi o de lançar o calendário de 2013, colocado a venda por R$ 10. Na mesma noite, foram homenageados voluntários que colaboram em ações que proporcionam atividades culturais e esportivas aos pacientes: Maria Inês Gazolli, Mário Viera da Silva (Ziza), Gilberto Kazuo Ogata, Otília Dias Moreira, Cláudio Francisco Alves da Silva e Rosely de Oliveira Silva.
Houve ainda a apresentação de um coral composto por funcionários da unidade, e a presença de escoteiros de Promissão, convidados para integrarem aos pacientes.
No último dia 7, o Cais “Clemente Ferreira” inaugurou suas atividades natalinas. A unidade estará aberta para visitas até o dia 6 de janeiro, das 7 às 22h. No dia 20, haverá uma confraternização.









