O 2º Fórum Regional em Defesa da Criança e do Adolescente, realizado entre sexta-feira, 16, e sábado, 17, teve como principal tema os efeitos físicos, psicológicos e mentais que podem ser provocados em bebês cujas mães consomem bebidas alcoólicas durante a gravidez. Palestras buscaram capacitar profissionais que atuam no desenvolvimento infantil para que eles conscientizem a população sobre esse problema.
A conferência de abertura foi realizada pelo presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Eduardo da Silva Vaz. Segundo ele, os índices de mortalidade de bebês em consequência do uso do álcool na gestação ainda são grandes no País. Não é recomendada nenhuma dose durante esse período. “O bebê terá dificuldades para a vida toda e, por mais tratamentos que ele passe, nunca vai atingir o seu potencial que poderia atingir se fosse saudável”, afirmou. O médico afirmou que as lesões ao feto também podem trazer riscos à saúde da mãe.
Outro problema abordado por Eduardo na palestra foi o aumento do alcoolismo entre adolescentes. Algumas pesquisas desenvolvidas por instituições brasileiras mostram que o consumo tem começado cada vez mais cedo. Ele acredita que a questão por aqui pode ser tão preocupante como nos Estados Unidos onde há estudos mais detalhados sobre o assunto.
Em muitos casos, a experimentação acontece entre 9 e 10 anos, faixa etária em que o cérebro ainda está em desenvolvimento. Para o médico, são indicativos de que as ações para evitar o uso do álcool pelos jovens precisam ser mais eficazes. “Consumir álcool antes dos quinze anos aumenta em quatro vezes a chances de tornar-se um adulto alcoólatra”, disse.
O fórum também teve uma mesa de discussões com a participação do presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo, Mario Roberto Hirschheimer, e de Conceição Aparecida de Mattos, coordenadora do grupo de estudos sobre a prevenção da síndrome alcoólica fetal da entidade estadual. Esses três convidados receberam do vice-prefeito Rogério Barros cópias de decretos que os consideraram hóspedes oficiais do município. Também prestigiou a solenidade de abertura o secretário municipal de Saúde, José Affonso Penha Junior.
O presidente do órgão na região de Marília, Mário do Carmo Martini Bernardo, e a dirigente regional de Ensino, Miyoko Tanji, também integraram as discussões. O coordenador do evento, Paulo Eduardo Imamura, lembrou que o objetivo é estender a preocupação das autoridades de saúde sobre as consequências do álcool à saúde, assim como já ocorre em relação às drogas ilícitas.
O debate sobre a prevenção à síndrome alcoólica fetal passou a integrar o calendário oficial do município após ter sido aprovado, em maio deste ano, projeto do presidente da Câmara, Marino Bovolenta Junior (PV). Está a prevista a realização, sempre na segunda quinzena de agosto, de uma semana municipal com orientações à população.









