Ocorreu na última Sessão Ordinária (05) a participação da Professora Sueli Aparecida Tabian Laranjeira, atuante na rede pública a mais de 25 anos e lecionando nas escolas Dom Henrique Mourão e Instituto Americano de Lins. Durante a utilização da Tribuna Livre, Sueli obteve 15 minutos para relatar como os professores são tratados atualmente nas salas de aula e, mais 2 minutos de resposta para cada pergunta que os vereadores realizassem.
A professora relatou inicialmente que as escolas linenses em que atua estão funcionando em seu curso normal, sendo que as verbas são recebidas para sua manutenção e os materiais escolares são entregues aos alunos. Entretanto ocorre descaso desse material didático oferecido pelo governo estadual, pois apesar do kit ser completo e suprir todas as necessidades dos alunos, alguns destes alunos jogam o kit fora ou simplesmente nem querem recebê-lo alegando não querer carregar peso.
Outra questão é a ausência dos pais na vida escolar de seus filhos, pois a escola, segundo ela, realiza reuniões de acompanhamento escolar a fim conscientizar o comportamento, as notas e as dificuldades enfrentadas pelos alunos, no entanto o número de pais que comparecem a essas reuniões é mínimo. Desta forma, a tentativa da escola em exercer seus deveres é vedada pelos próprios pais, que por sua vez buscam incansavelmente seus direitos em promotorias, juizado, diretoria de ensino e até mesmo em rádios locais, sem ao menos sequer consultar a escola para saber o que de fato acontece com seus filhos.
Diante disto, a escola é obrigada a tomar medidas drásticas, com autorização do conselho, como a suspensão do aluno enquanto o pai não comparecer.
O fator desrespeito ocorre diariamente com os professores, sendo que crianças e adolescentes partem para agressão moral e física simplesmente por não aceitarem as regras básicas da instituição e as normas da boa convivência.
Outro ponto destacado é gravidez na adolescência que a cada dia se torna mais frequente. De acordo com a professora, crianças de apenas 13 anos geram crianças e, sem consciência tratam esse futuro ser com termos baixos, como por exemplo, “eu não pedi para essa imundice nascer”.
A professora afirma que já viu casos onde pais se sentiam aliviados pelo filho estar na Fundação Casa, pois estando nesta unidade, estariam seguros e livres de consequências piores. Muitas vezes questionam aos professores e diretores “o que eu faço com o meu filho?”.
E por essas e outras situações, caracterizadas como uma questão social se faz necessário o poder público intervir e não deixar que a escola seja responsável pela solução desses problemas, pois as famílias estão precisando de ajuda e a função da escola é simplesmente transmitir conhecimentos para a formação educacional e profissional dos alunos.
Finalizando sua fala, Sueli enfatiza que não só as famílias linenses, mas a escola também pede socorro.
A vereadora Guadalupe Boa Sorte (PSDB) agradeceu a presença da professora, assim como a apresentação desses episódios tão freqüentes na atualidade e vividos por todo o país. Referente a mobilização dos pais para dentro da escola, a sociedade conta com o Programa Família na Escola. Desta forma questionou a professora se o programa não poderia atender esta necessidade.
A professora julga que este projeto visa um entretenimento durante os finais de semana e que o ideal seria que ações fossem tomadas desde a primeira etapa escolar, sendo um exemplo uma maior participação dos pais nas reuniões escolares.
O vereador Juninho Soares “Partido Solidáriedade” ressaltou que durante sete anos foi aluno da professora Sueli e que suas aulas foram sempre politizadas, com discussões sociais e políticas que contribuíram muito para sua formação. Em seguida, perguntou a partir de que momento os alunos demonstram rebeldia contra os professores e os pais transferem suas responsabilidades aos mesmos.
Sueli respondeu que as duas situações ocorrem desde a primeira etapa da educação.
O vereador Diquinho (PMDB) também ressaltou a satisfação em ter sido seu aluno e questionou qual seria a mudança para Lins se tornar melhor.
Segundo Sueli, a medida ideal é o investimento na educação, que já está sendo realizado financeiramente, entretanto os alunos não correspondem, ou seja, não tem interesse. O problema é de cunho familiar e por isso deve ser analisado entre escolas e poder público.
A vereadora Solange Bom Viver (PMDB) questionou o resgate do patriotismo, pois antigamente as escolas praticavam o hino nacional, incentivavam a catequese e que com o passar do tempo essas e outras práticas foram esquecidas. Disse ainda que as mudanças devem ser voltadas não só para os pais, mas para os filhos também.
Sueli disse algumas escolas mantém o hábito de execução do hino nacional e se o município estabelecer uma norma o estado poderia acatar a execução novamente. Referente a catequese, disse que essa é uma questão mais complexa, visto que a escola deve respeitar as diversificações de crenças dos alunos.
O vereador Geraldo Correia (PT) afirmou que desde o ano passado tem-se a proposta da criação do plano municipal de educação envolvendo todos os segmentos da rede social de proteção. Será dado o andamento a este processo no próximo dia 13, estando agendada uma reunião que nomeará presidentes das comissões dos direitos humanos e da educação. Segundo ele, este é o primeiro passo do poder público para mudar essa situação.
O vereador Sidnei Ferrazoni (PSDB) disse que antigamente, através das reuniões de pais se solucionava problemas disciplinares dos alunos, hoje, entretanto muitos pais defendem as ações erradas de seus filhos.
Sueli comentou que uma vez a escola distribuiu livros para os pais lerem com seus filhos e logo depois os livros foram devolvidos a escola pelos pais que alegaram não ter tempo para essa atividade e que esta era uma função exclusiva da escola.
O vereador Roy Nelson (PR) ressaltou que os professores deveriam ser mais valorizados pelo governo, visto o grande papel que desempenham para a sociedade. Mauro Gás (PP) afirmou que de certa forma o estado tirou a autoridade dos pais. Aparecido Correia (PMDB) concordou com a professora, afirmando que as famílias estão desestruturadas e que a solução vai além da força da lei, faltando a presença de Jesus.
Referente aos depoimentos, a professora alegou que hábitos mais rígidos poderiam ser resgatados pelas famílias. Já a questão da crença é mais complexa, pois a escola não pode influenciar nesse tipo de escolha.
O presidente da câmara Dr. Marino Bovolenta Jr. (PR) prestou seu depoimento dizendo em seu tempo escolar, o ensino público era mais valorizado, os professores eram extremamente respeitados e os métodos disciplinares das famílias eram mais severos e esses fatores tinham resultados positivos na sociedade. Agradeceu a presença e a iniciativa de mostrar para a sociedade as situações no ensino público.









